Se não fosse o SUS…

O Sistema Único de Saúde brasileiro responde por 75% dos atendimentos da população. Existe, entretanto, uma profunda contradição a respeito da gestão dos recursos: 9,4% do PIB nacional é destinado à saúde, de acordo com dados do Banco Mundial, mas, no entanto, 54% do gasto em saúde acontece no setor privado, que atende apenas 25% da população (por que será?).

Em um momento tão grave quanto o da pandemia da Covid-19, o que seria do Brasil sem ele?

Já que estou falando de saúde, deixem eu me apresentar: sou psicólogo na rede de saúde pública no município de São Paulo e preciso fazer um relato sobre a importância dos Caps.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, hoje existem cerca de 2500 Centros de Atenção Psicossocial no território nacional dentre as três modalidades (infanto-juvenil, adulto e álcool e outras drogas).

A presença dos Caps diminuem em até 14% o risco de suicídio, de acordo com o ministério da Saúde.  Tenho inúmeros colegas psicólogos que saíram dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial para atuarem somente em consultório particular que sentem falta da agitação e do permanente desafio de atuação nesses locais.

O trabalho na clínica ampliada do psicólogo e demais profissionais da saúde mental, sejam os terapeutas ocupacionais, os assistentes sociais, educadores físicos, enfermeiros, psiquiatras, médicos clínicos, agentes comunitários de saúde, redutores de danos, farmacêuticos, oficineiros, etc, tem acolhido a angústia e o sofrimento da população nessa que é a maior crise sanitária de nossa história, se colocando na linha de frente dos serviços mais essenciais.

Cabe o clichê que nem todo herói usa capa e estrela filme da Marvel, mas usa máscara, álcool gel e os itens de equipamento de proteção especial que forem necessários. O SUS é o Brasil, com certeza.

Fonte: www.brasil247.com

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